sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O VELÓRIO DO SAMBA


            Fui ao velório do samba
            E fiquei decepcionado
            Quando cheguei chorando
            E acabei por saber
            Que o malandro era o culpado.
            Com três golpes de navalha
            E um acorde fora do tom,
            O Samba agonizando
            E o homicídio consumado

            E agonia não acabava ,
            Uma tristeza daquelas que devora
            O jovem senhor deitado,
            Num linho branco sem igual
            E ao redor nem Maria nem Aurora
            Só uma mulher chorava.
            E o pior que era a matriz
            Não era nem a filial.

            Pro coitado do samba
            Já chegada a hora dos sete palmos
            Seu nome indo pra lama
            E nada de fita amarela
            E nem de roda de bamba,
            Não tinha mulata e nem harmonia
            Só uns senhores bem calmos
            Que tomavam água que nem ardia. 
    
            Foi quando Amélia me acordou:
            Acorda que o Arnesto ta ai fora
            Meu coração aí se aliviou
            E eu me levantei sem demora
            Peguei meu chapéu branco
            Ajeitei meu anel de bamba
            E fui pra casa da nega...
            Ver o sol nascer com o Samba



                        Haroldo Porto



Um comentário:

FRANCISCO DIAS disse...

Parabenizo-te pelo blog, pelas criações e pelo talento. Esse texto "Velório do samba" é show. Feliz 2014. ZZ